Newsletter

* This field is required
* Invalid email address

Uma época de prioridades invertidas

BIGCHANGES.001

No que toca à nossa saúde, somos uma espécie em decadência apesar de todos os avanços que a ciência nos proporcionou. Não sendo fácil identificar um marco histórico na nossa evolução que possa explicar este fenómeno, os últimos 40-50 anos têm sido marcados por uma deterioração galopante da nossa saúde e dependência crónica de fármacos. Vivemos mais anos, mas quantos desses são de plena vitalidade e saúde? A culpa é do o stress. É o distúrbio dos padrões de sono naturais. É a dieta. É o sedentarismo. E se não for nenhuma? E se forem todas ao mesmo tempo?

A nossa saúde é resultado de uma interacção dinâmica de múltiplas variáveis para além de qualquer modelo estatístico compreensível ao intelecto humano. Simplesmente não é possível estudar e avaliar a influência e interacção de tantas em simultâneo. Mas na verdade é provável que o resultado seja mais penoso do que a soma das “pequenas” partes, algumas a que nem damos importância, e outras a que damos importância demais.

A Nutrição é um exemplo paradigmático deste foco selectivo, uma ciência cada vez menos ciência e mais sujeito à volatilidade da moda. Os nutricionistas podem fazer muito pela saúde de uma pessoa, especialmente se estiverem focados nos aspectos macro e menos no acessório. Para a grande maioria das pessoas, a discussão não deveria ser a inclusão de chia ou do próximo super-alimento na dieta. Se devem cortar nos hidratos de carbono ou na gordura. Não fará grande diferença! Isto quando nem sequer o stress do dia-a-dia sabem gerir e garantir um sono de qualidade.

Trago-vos um estudo a ser apresentado no próximo Meeting da Obesity Society que, embora em modelo canino, ilustra na perfeição a magnitude do impacto de certas variáveis na saúde. Segundo os resultados da equipa encabeçada por Josiane Broussard, apenas uma noite de privação de sono tem o mesmo impacto que uma dieta de “junk food” durante 6 meses na redução da sensibilidade à insulina. Na verdade, foi até maior (-33% vs -21%). Repito: não dormir uma noite diminuiu mais a sensibilidade à insulina do que 6 meses a comer “porcaria”.

Convém deixar claro que se trata de um estudo com um modelo animal cuja dieta natural difere bastante da nossa. No entanto, dado o que já se sabe acerca do impacto do sono na saúde metabólica, não tenho grandes dúvidas de que em Humanos os resultados serão reproduzidos sem grandes diferenças. Isto não significa que uma variável seja mais importante do que a outra, mas que ambas são importantes, e que optimizar uma sem a outra não faz qualquer sentido. Na saúde nada se faz pela metade.

O problema é estruturante e mexe com a sociedade como a conhecemos. Não há soluções simplistas para problemas complexos e é escusado enfiar a cabeça na areia. Nutricionistas, médicos, personal trainers, naturopatas, etc. Todos podem fazer muito pela saúde das pessoas, especialmente se alargarem os horizontes ao pouco que conhecem e dominam da saúde humana. Soluções integradas são urgentes para combater um problema sério de saúde pública. Não há espaço para super-especialistas nem para super-generalistas. Como se costuma dizer, num Mundo de cegos, o homem com um olho é rei.

Vejo pessoas a tomar o açaí de manhã com a chia, a beber o seu copo de água tépida com limão ao acordar, e água Monchique durante o dia. Que não comem carne vermelha porque ouviram dizer que causa cancro, ou branca pelos antibióticos que contém, ou porque decidiram que ser vegetariano era a solução. Fazem um jejum periódico para limpar o corpo dos males que o conspurca, e tomam banho com um sabonete de mel e azeite biológico, mais apropriado para comer do que a maioria dos alimentos num supermercado. Mas passam o dia sentados, são falsos magros com aquela “barriguinha” proeminente, dormem 5 horas por noite e mal, vivem em stress constante para pagar as prestações ao final do mês, e passam 2 horas por dia no trânsito a rogar pragas. Acham que vai fazer a diferença? Não… Não vai correr bem.

Artigo por Sérgio Veloso

BIGCHANGES.001

 

 

Publicado em 2 Janeiro, 2016 em Sono, Stress

Deixe aqui o seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back to Top