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Manipulação da variável ROM no treino

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“Quem não agacha até as coxas quebrarem o paralelo não está a treinar corretamente.” Quantas vezes não ouvimos este tipo de comentários por esses ginásios fora? Fortemente influenciado por duas grandes ceitas que vieram invadir o mundo do fitness: a ceita do movimento e a ceita dos circuitos de alta intensidade, repentinamente todo o treino parece ter de ser realizado em amplitude máxima. Desta forma irei escrever dois artigos sobre o efeito da amplitude nas adaptações ao treino.

Neste primeiro artigo irei-me debruçar essencialmente nos fundamentos para um melhor entendimento da manipulação desta variável do treino e num segundo artigo irei falar um pouco sobre qual a influência da alteração da amplitude de movimento para questões funcionais.

Na minha opinião, acredito existir uma questão essencial no que diz respeito ao entendimento desta matéria: a relação entre a força e o alongamento do músculo. A nossa musculatura esquelética tem diferente capacidade em produzir força de acordo com grau de alongamento. Desta forma, se avaliarmos e registarmos a força exercida em vários graus, podemos ter uma curva semelhante à apresentada na figura 1.

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Figura 1. Relação entre a força produzida e o grau de alongamento.

Apesar de ter sido inicialmente verificada na fibra muscular isolada (Edman e Reggiani, 1987), esta relação mantém-se semelhante para o músculo no seu todo, grupos musculares, e movimentos. Voltando ao exemplo do agachamento, e sabendo que este é um exercício onde vários músculos assumem papel de músculos agonistas, existe uma determinada amplitude onde o grau de alongamento dos vários músculos é óptima sendo então a força produzida máxima. O mecanismo por trás desta alteração da capacidade funcional (i.e. contração) do músculo é facilmente justificada através do número de pontes cruzadas que estão ativas em cada grau de alongamento do músculo (figura 1). Neste sentido, e sabendo que a força produzida é diretamente proporcional à quantidade de pontes cruzadas estabelecidas (ver abaixo), a amplitude em que a capacidade de produzir força é máxima, corresponde à amplitude onde maior número de pontes cruzadas estão ativas.

É óbvio que esta relação entre a força e o grau de alongamento só nos interessa uma vez que é passível de ser alterada através do treino. Assim, a curva pode deslocar-se de forma aguda ou crónica em resposta ao exercício (figura 2).

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Figure 2. Adaptações agudas na curva força alongamento de um sujeito antes (Control) e após (Im Post) exercício de Nordic Hamstring. Adaptado de Brockett, Morgan e Proske (2001).

Num próximo artigo irei debruçar-me sobre as influências da manipulação da amplitude de movimento em questões funcionais.

Pontes cruzadas: De forma simplista e redutora, as pontes cruzadas dizem respeito à ligação entre as proteínas contrácteis do músculo esquelético. Após as pontes cruzadas estarem estabelecidas torna-se possível que uma destas proteínas puxe a outra fazendo o músculo movimentar-se no sentido do encurtamento. Um olhar sobre este vídeo (hlink: https://www.youtube.com/watch?v=Ct8AbZn_A8A) pode ajudar na compreensão do mecanismo do ciclo das pontes cruzadas.

Bons treinos,

Francisco Tavares

Referências:

Brockett, C. L., Morgan, D. L., & Proske, U. W. E. (2001). Human hamstring muscles adapt to eccentric exercise by changing optimum length. Medicine and Science in Sports and Exercise, 33(5), 783-790.

Edman, K. A., & Reggiani, C. (1987). The sarcomere length‐tension relation determined in short segments of intact muscle fibres of the frog. The Journal of physiology, 385(1), 709-732.

 

Publicado em 28 Setembro, 2015 em Exercício

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