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Salmão selvagem e de aquacultura

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Quando pensamos num peixe gordo como fonte de ómega-3, o primeiro que nos vem à cabeça é o salmão. Apesar de existirem fontes preferenciais, como a cavala ou sardinha, o salmão não deixa de ser uma opção viável. No entanto, muitas dúvidas existem acerca da qualidade e origem do peixe que chega às nossas mesas, praticamente todo ele proveniente de aquacultura. Vamos então esclarecer alguns pontos importantes:

1- O salmão de aquacultura não é alaranjado, e essa cor é conferida por um pigmento sintético, pigmento esse que “causa cancro”. Citando, “estudos apontam que consumir mais de 200 gramas desse pescado, numa média mensal, apresenta riscos cancerígenos inaceitáveis.”

Verdade quanto ao pigmento. O que confere cor ao salmão é a astaxantina presente nos copépodes de que se alimenta em ambiente selvagem. O salmão de aquacultura é alimentado a ração, à qual é adicionado um pigmento sintético assemelhado – cantaxantina. Ninguém ia comprar salmão cinzento não é verdade? No entanto, gostava de saber onde está o estudo que suporta a afirmação de que consumir 200 g por mês apresenta riscos cancerígenos inaceitáveis. Na verdade, até posso citar um em contrário: Carcinogenesis. 1998 Feb;19(2):373

2- O salmão de aquacultura não tem quase ómega-3 nenhum.

Totalmente falso. Na verdade tem até mais como mostro no gráfico que se segue:

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A questão é que também tem mais ómega-6 do que o salmão selvagem, devido às farinhas adicionadas na ração, e mais gordura total (saturada e monoinsaturada). É na realidade um peixe obeso, e como não seria se vive confinado a um aquário e a comer farinha? No entanto, o rácio ómega-3:ómega-6 continua elevado (3:1) e não deixa de ser uma boa fonte destes ácidos gordos.

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3 – O salmão de aquacultura está cheio de antibióticos e fungicidas.

Aqui reside alguma verdade de facto. Algumas produções menos controladas, especialmente fora da Europa, podem abusar em antibióticos para manter uma densidade de peixes muito elevada num pequeno espaço. Tendo em conta que a maior parte destes compostos são lipossolúveis, o consumo do peixe leva a uma exposição quase certa. Também foram já verificados níveis de PCBs elevados em salmão de aquacultura, mas menores níveis de mercúrio, cujo risco também não é nada de especial com o consumo de salmão.

Em conclusão, o salmão selvagem será sempre uma melhor escolha. Mas não é permitido pescar salmão na Europa, e proveniente do Alasca só mesmo congelado e a preços elevados. A dificuldade do consumidor Português em saber a origem do pescado, algo que deveria ser obrigatório facultar ao cliente, faz com que tenha alguma cautela em recomendar o seu consumo com base regular (mais do que 1 vez por semana). No entanto, a nossa costa está cheia de boas fontes de ómega-3, bem melhores do que o salmão – sardinha e cavala. É por aí que deveremos ir. O problema do salmão é o mesmo que com qualquer outro alimento de produção intensiva. Não há farsa nenhuma, e o risco não é maior do que com frango, vaca, porco, por exemplo.

Artigo por Sérgio Veloso

Publicado em 2 Janeiro, 2016 em Nutrição

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